Quando pensamos em Copa do Mundo, é comum associarmos os jogadores à alta performance, preparo físico extremo e resistência. No entanto, por trás dos gramados, existe uma realidade que acompanha muitos atletas profissionais: as lesões na coluna, especialmente a hérnia de disco.
Ainda é comum ouvir aquele mito de que a hérnia de disco é um problema exclusivo de pessoas sedentárias ou mais velhas, porém, no esporte de alto rendimento, ela também é bastante comum e pode afastar atletas importantes dos gramados por semanas, meses ou até encerrar carreiras.
Nos últimos anos, alguns jogadores conhecidos passaram por isso. O zagueiro Rafael Thyere, capitão do Sport, precisou passar por cirurgia para tratar uma hérnia de disco. O lateral Israel, do Santa Cruz, também foi afastado por lesão na coluna. Além deles, o atacante Perema chegou a relatar que o problema quase encerrou sua trajetória no futebol profissional.
E o futebol não é o único esporte com esse risco. Atletas de modalidades como levantamento de peso, ginástica, lutas e até arremesso de peso também apresentam maior predisposição a lesões discais devido à sobrecarga repetitiva na coluna.
Um exemplo conhecido é o do brasileiro Darlan Romani, destaque do arremesso de peso, que desistiu dos Jogos Olímpicos de Paris por conta de uma hérnia. Isso acontece porque modalidades explosivas geram uma carga extremamente elevada sobre a região lombar.
Mas afinal: por que isso acontece tanto em atletas?
O que é hérnia de disco?
Antes de entender a relação com o esporte, vale explicar rapidamente o que é a hérnia de disco, doença responsável por mais de 51 mil afastamentos do trabalho no ano de 2023, segundo levantamento do Ministério da Previdência Social.
Entre as vértebras da coluna existem estruturas chamadas discos intervertebrais, que funcionam como amortecedores naturais. Quando esse disco sofre desgaste ou ruptura, parte dele pode se deslocar e comprimir nervos da coluna. É isso que chamamos de hérnia de disco.
Dependendo da região afetada, os sintomas podem incluir:
Dor lombar ou cervical;
Dor irradiada para pernas ou braços;
Formigamento;
Dormência;
Fraqueza muscular;
Limitação de movimentos.
Em casos mais graves, a dor pode impedir atividades simples do dia a dia e até comprometer o desempenho esportivo.
Por que a hérnia de disco é tão comum em jogadores de futebol?
O futebol exige movimentos explosivos e repetitivos durante toda a partida. Corridas intensas, mudanças rápidas de direção, saltos, giros, divididas e impactos constantes geram uma sobrecarga muito grande na coluna vertebral.
Além disso, existe outro fator importante: o excesso de repetição.
Atletas profissionais treinam praticamente todos os dias, muitas vezes em alta intensidade. Com o tempo, o disco intervertebral sofre microtraumas sucessivos e, quando não há recuperação adequada, fortalecimento muscular suficiente ou equilíbrio biomecânico, o risco de lesão aumenta significativamente.
Outro ponto importante é que muitos jogadores convivem com dores por longos períodos antes de procurar tratamento. Isso acontece porque, no esporte de alto rendimento, existe uma pressão constante para continuar jogando mesmo com desconforto.
Isso não significa que praticar esportes faz mal, pelo contrário: a atividade física é uma das principais aliadas da saúde da coluna. O problema geralmente está no excesso, na execução inadequada ou na ausência de preparo muscular e recuperação.
Hérnia de disco tem prevenção?
Na maioria dos casos, sim. A prevenção da hérnia de disco passa principalmente por hábitos que preservem a saúde da coluna e reduzam a sobrecarga repetitiva.
Entre as principais medidas preventivas, destaco:
Fortalecimento muscular;
Alongamento e mobilidade;
Técnica adequada nos exercícios;
Descanso e recuperação;
Atenção aos sinais do corpo.
Quando a cirurgia de hérnia de disco é necessária?
Muitas pessoas acreditam que toda hérnia de disco precisa de cirurgia e isso não é verdade.
Grande parte dos pacientes podem melhorar com tratamento conservador, que pode incluir medicações, fisioterapia, reabilitação física, mudanças de hábitos, controle da inflamação e fortalecimento muscular.
No entanto, existem situações em que a cirurgia pode ser indicada.
Normalmente considero cirurgia quando o paciente apresenta dor intensa e persistente, perda de força, alguma compressão nervosa importante, limitação significativa na qualidade de vida ou quando o tratamento conservador não funciona.
Hoje, felizmente, existem técnicas minimamente invasivas que permitem recuperação mais rápida e menor agressão cirúrgica em muitos casos.
Se você apresenta dores persistentes na coluna, formigamentos ou sintomas irradiados para braços ou pernas, é importante procurar avaliação especializada. Quanto antes entendermos a causa da dor, maiores são as chances de evitar limitações futuras e preservar sua qualidade de vida.

