Quando uma cirurgia de coluna envolve o uso de implantes, existe uma questão que precisa ser considerada já no planejamento da operação: como está a qualidade do osso que irá sustentar esses componentes?
A história clínica do paciente pode indicar fatores de risco, como fraturas anteriores, uso prolongado de corticoides ou outras condições associadas à perda de massa óssea. A condição não impede, por si só, a realização de uma operação, mas pode mudar a forma como o procedimento é planejado e como o paciente é preparado para ele.
Por que a osteoporose importa na cirurgia de coluna?
A osteoporose reduz a resistência dos ossos e aumenta o risco de fraturas e, no procedimento cirúrgico, esse aspecto ganha atenção porque alguns procedimentos dependem da fixação dos implantes às vértebras.
Na artrodese, por exemplo, o objetivo é promover a fusão entre segmentos da coluna para estabilizar uma região e, para isso, podem ser utilizados parafusos pediculares e hastes que mantêm as vértebras na posição planejada enquanto ocorre o processo de fusão.
Quando o osso apresenta menor resistência, a relação entre a vértebra e o implante pode ser menos favorável, aumentando o risco de complicações como afrouxamento dos parafusos, falhas mecânicas e problemas relacionados ao fortalecimento dos ossos. Estudos também associam a baixa qualidade óssea a maior risco de complicações após determinados procedimentos de reconstrução da coluna.¹-²
A osteoporose impede a cirurgia?
Não necessariamente. já que é preciso considerar primeiro o que está sendo tratado, os sintomas, os exames e o objetivo do procedimento, além das condições clínicas do paciente.
O que muda é a necessidade de conhecer melhor a saúde óssea e, quando existe alteração, incorporá-la à estratégia escolhida. Diretrizes para cirurgias de reconstrução da coluna recomendam que a saúde dos ossos seja considerada antes da operação, principalmente em pacientes com maior risco de osteoporose.²
Com essas informações, a equipe médica pode definir medidas de preparação mais adequadas.
Como saber se o osso está preparado para a cirurgia?
A densitometria óssea, conhecida como DXA, é uma das principais ferramentas utilizadas para avaliar a densidade mineral óssea. Em pacientes que passarão por determinadas cirurgias da coluna, esse exame pode ajudar a identificar situações em que a saúde óssea merece atenção especial. ¹-²
A tomografia computadorizada pode fornecer informações adicionais, em alguns casos, é também possível analisar a densidade do osso vertebral. Esse recurso pode contribuir para identificar pacientes com maior probabilidade de apresentar baixa qualidade óssea, especialmente quando o exame já foi realizado como parte da investigação da coluna. ¹ Os resultados, porém, não devem ser interpretados de forma isolada. A decisão depende da combinação entre os exames, o histórico clínico e o tipo de cirurgia planejada.
O tratamento da osteoporose pode fazer parte da preparação cirúrgica?
Quando os exames identificam osteoporose ou outra alteração que comprometa a resistência óssea, o médico ou médica pode considerar medidas para melhorar essa condição antes e até mesmo durante o período perioperatório . A abordagem pode incluir medicamentos específicos, correção de deficiências nutricionais e acompanhamento de outros fatores. ¹-²
A indicação e o momento de iniciar essas medidas varia conforme o quadro clínico. Por isso, não existe um período único de preparação que possa ser aplicado a todos os pacientes.
O cuidado não termina após a cirurgia de coluna
O acompanhamento da osteoporose continua importante depois do procedimento, tanto para reduzir o risco de novas fraturas quanto para preservar a resistência óssea ao longo do tempo. Para quem receberu implantes, esse cuidado também integra o acompanhamento daregião operada.
Durante a recuperação, outras medidas orientadas pela equipe médica também podem contribuir para a manutenção da mobilidade e da funcionalidade.³
Para entender melhor os cuidados após uma cirurgia de coluna, leia também como preservar a saúde da coluna após a cirurgia.
Referências
¹BAUER, Jordan; HEARD, Bryan; SINGH, Hardeep; MALLOZZI, Scott; MOSS, Isaac. The role of osteoporosis in spine surgery and current management strategies: a review. Current Osteoporosis Reports, v. 23, n. 1, art. 41, 2025. DOI: 10.1007/s11914-025-00930-5. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41062783/.
²SARDAR, Zeeshan M. et al. Best practice guidelines for assessment and management of osteoporosis in adult patients undergoing elective spinal reconstruction. Spine, v. 47, n. 2, p. 128-135, 2022. DOI: 10.1097/BRS.0000000000004268. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34690329/.
³CONGRESS OF NEUROLOGICAL SURGEONS. Congress of Neurological Surgeons systematic review and evidence-based guidelines for perioperative spine: preoperative osteoporosis assessment. Neurosurgery, v. 89, supl. 1, p. S14-S19, 2021. DOI: 10.1093/neuros/nyab313. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34490883/.

